“Feridas crônicas são definidas como qualquer descontinuidade da pele que precisam do período de tempo para curar maior que 3 meses.A cicatrização de feridas envolve um processo reparador que inclui as seguintes fases: inflamatória, angiogênese (proliferativa), deposição de matriz (síntese do colágeno) e epitelização.
Cada ferida tem um tempo de cura que envolve vários fatores, dentre eles: tipo da ferida (insuficiência vascular, insuficiência arterial,neuropatia, artrite reumatóide, diabetes, tumores, osteomielite crônica, trauma, queimaduras, doenças hematológicas, infecção, pressão, etc); condições clínicas do paciente (idade, comorbidades); condições de higiene do paciente; tipo de tratamento; condição financeira, dentre outros.
O Parecer Normativo n.º 001/2020 do Conselho Federal de Enfermagem regulamenta a Ozonioterapia como prática do Enfermeiro no Brasil e garante o Enfermeiro Ozonioterapeuta como capaz de atuar e prescrever um plano de cuidados de intervenção de Enfermagem na promoção de uma melhor qualidade de vida e segurança dos cuidados prestados.
O Ozônio (O3) é um gás composto por 3 átomos de oxigênio com estrutura cíclica, foi inicialmente descoberto como um oxidante e desinfetante em 1834 exercendo importante efeito no tratamento de amputações em soldados durante a Primeira Guerra Mundial. Desde então, inúmeros pesquisadores estudaram os efeitos do Ozônio no tratamento de feridas cutâneas, dentre outras afecções com a melhoria satisfatória dos resultados de cura.
O Ozônio, sendo um potente oxidante,melhora a oxigenação sanguínea, a flexibilidade dos eritrócitos é aumentada, facilitando a passagem dos mesmos pelos vasos capilares, garantido um melhor suprimento de oxigênio tecidual, reduz a adesão plaquetária, atua como analgésico, anti-inflamatório e estimulante do sistema de crescimento do tecido de granulação.
O O3 quando em contato com fluídos orgânicos, promove a formação de moléculas reativas de oxigênio, melhorando o fluxo sanguíneo, as quais influenciam eventos bioquímicos do metabolismo celular,o que proporciona benefícios à reparação tecidual facilitando o crescimento do tecido epitelial, inibe o crescimento bacteriano, além do efeito antimicrobiano.
Quando aplicado em lesões cutâneas, o Ozônio pode favorecer o processo de cicatrização, especialmente se associado ao cuidado clínico por profissional habilitado e com expertise no tratamento de feridas. Nesse sentido, vários grupos de estudo no mundo todo têm fomentado evidências que recomendam sua utilização. Uma revisão sistemática com metanálise, reuniu 9 estudos com um total de 453 pacientes e apontou melhora significativa no fechamento da ferida com o advento da Ozonioterapia, e comparado com o cuidado convencional, a terapia de ozônio como um tratamento avançado de cuidados de feridas pode melhorar a proporção de feridas crônicas curadas em uma quantidade menor de tempo.
Resultados preliminares de outra metanálise em andamento, que tem como desfecho primário a proporção de participantes com feridas completamente curadas e como desfechos secundários a incidência de eventos adversos, amputação, qualidade de vida, duração da internação e custo, com minuciosa descrição de sua sistematização sugere um número crescente de evidências relacionadas a temática com resultados de sucesso.
Outras pesquisas apontam que o tratamento de feridas crônicas com ozonioterapia podem ser clinicamente válidas e financeiramente econômicas, contudo novos estudos, melhores delineados e em novos contextos são necessários para reforçar as evidências já existentes sobre o assunto.” (texto extraído na íntegra do artigo: Moraes CM, Teixeira AWBC. A ozonioterapia na cicatrização de feridas crônicas de membros inferiores: uma série de casos.Glob Acad Nurs. 2022;3(2):e254)





