A Fotobiomodulação Sistêmica Vascular conhecida também como ILIB é uma terapia onde fontes de luz, lasers ou LEDs, podem ser utilizadas para depositar energias fotônicas, previamente determinadas, sobre a pele (transcutânea), no local onde vasos sanguíneos calibrosos (artérias ou veias) tenham sua maior projeção em direção a pele, e depois evoluindo para as aplicações transmucosas, onde encontramos grande concentração de vasos sanguíneos, ou seja, na região intranasal e/ou região do assoalho da boca – sublingual.
A fotobiomodulação é composta por luzes especiais (Lasers e LEDs) que têm a capacidade de biomodular respostas celulares, aumentando a produção de energia (ATP) e controlando os aspectos negativos da inflamação. A partir da absorção dessas luzes por cromóforos específicos (moléculas fotoaceptoras), a energia luminosa transforma-se em energia química para ativação celular e, assim, ocorre a interação da luz com o tecido biológico. Em resposta à ativação celular, ocorrem diversas reações biológicas, tais como incremento de circulação sanguínea e linfática, estímulo a formação de fibras de sustentação da pele, alterações na permeabilidade da membrana plasmática com maior absorção de nutrientes e cosméticos, ação antioxidante, modulação dos processos inflamatórios da dor e da imunidade.
Os efeitos anti-inflamatório e analgésico promovidos pela fotobiomodulação estão relacionados com a modulação de prostaglandinas, histamina, bradicinina, leucotrienos, serotonina, beta endorfina, cortisol entre outros opioides. Outro mecanismo de alívio da dor é a modulação da nocicepção.
Quanto ao comprimento de onda: os comprimentos de onda vermelhos e infravermelhos próximos já demonstram e estabeleceram seus efeitos satisfatórios, sendo eles:
• Vermelho (de 630 a 780nm) – tem efeito espasmolítico, melhora a disposição física, trata a insônia, melhora a oximetria, melhora o metabolismo, gerencia doenças degenerativas, ansiedade, isquemia cerebral, faz controle hormonal, controla os marcadores metabólicos, acelera a cicatrização, entre outros;
• Infravermelho próximo (de 780 a 904nm) – indicado para fototipos altos (IV a VI), controla a inflamação, a infecção (melhora na resposta imunológica), hipoxia, analgesia, promove melhoras cognitivas (córtex pré-frontal), e melhoras motoras (córtex motor), trata a depressão, traumas cerebrais, doenças degenerativas, esquizofrenia, controle emocional, crise alérgica, resgata hemoglobina em pacientes com COVID-19.
Quanto ao tempo de irradiação: atualmente, dependendo da via de administração da luz:
• A aplicação transcutânea (TC) com um laser de 100mW poderia variar de 6 a 60 minutos na artéria radial; 10 a 15 minutos nas carótidas, supra-claviculares e vertebrais; 5 minutos nas artérias temporais; 3 a 10 minutos nas cerebrais e
safenas; 20 minutos nos vasos dos membros inferiores;
• A mucosa intranasal (TMIN) podemos irradiar de 1 a 3 minutos em cada narina, na mesma sessão;
• A mucosa sublingual (TMSL) podemos irradiar de 2 a 15 minutos.
Quanto a faixa etária:
Recomenda-se que na primeira infância, seja empregado 1/3 do tempo indicado para o adulto e na pré-adolescência seja metade dessa dose de adulto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
A fotobiomodulação, como muitas outras terapias, passou a ser considerada não mais como apenas uma técnica, mas sim como, de fato, uma opção importante para tratar e reequilibrar as condições integrativas do paciente. Estamos vivenciando uma nova era dentro das Ciências da Vida: modular e equilibrar os sistemas integrativos corporais para melhor responder aos traumas, infecções e desequilíbrios metabólicos, resultando na recuperação mais eficiente e com menor probabilidade de sequelas disfuncionais. A fotobiomodulação pode, hoje, sem dúvidas, ser um instrumento terapêutico para aplicações sistêmicas e localizadas, tratando o substrato “organismo” e diminuindo os danos locais onde as lesões se instalam ou se manifestam.
Ela não é uma terapia isenta de riscos. Por isso ela precisa ser bem indicada após a avaliação de um profissional de saúde de nível superior capacitado em laserterapia. Nem todos os pacientes terão os resultados esperados com a fotobimodulação e sendo assim, ser indicado outras terapias melhores para cada caso. Por exemplo, não há estudos que garantam a segurança da terapia com pacientes leucêmicos.
Fonte:
VS Magnato et al. Fotobiomodulação e terapia combinadas: protocolos de tratamento para as sequelas de Covid-19. UFSCAR, 2021.





